
Volte a sentir-se seguro/a. Recupere a sua liberdade.
Supere o pânico e volte a viver sem medo.
Compreenda a sua ansiedade, aprenda a lidar com os ataques de pânico e recupere gradualmente a confiança para fazer as coisas que são importantes para si. Com acompanhamento psicológico, é possível construir novas formas de enfrentar o medo e voltar a sentir-se mais livre no dia a dia.
Tem Perturbação de Pânico ou Agorafobia?
Sente episódios súbitos de medo intenso que o levam a pensar que está doente, que está a morrer ou que está a perder a razão? Quando estes episódios de pânico ocorrem, sente que o coração lhe vai saltar do peito ou que não consegue respirar? Ou talvez sinta tonturas, fraqueza, tremores, transpiração excessiva, falta de ar ou simplesmente um medo muito intenso.
Por vezes, estas sensações surgem «do nada», quando menos espera? Preocupa-se com a possibilidade de voltarem a acontecer? Estes episódios interferem com a sua rotina diária ou impedem-no de fazer coisas que normalmente faria?
Se se identifica com estas descrições, poderá estar a sofrer de perturbação de pânico e, eventualmente, também de agorafobia, uma vez que estas duas condições ocorrem frequentemente em simultâneo.
Os episódios de medo intenso são designados por ataques de pânico. Habitualmente, são acompanhados por uma preocupação persistente com a possibilidade de sofrer outro ataque. A combinação dos ataques de pânico com a ansiedade e a preocupação associadas à sua recorrência caracteriza a perturbação de pânico.
A agorafobia consiste no medo ou na ansiedade relacionados com situações em que a pessoa receia vir a sofrer um ataque de pânico ou a sentir outros sintomas físicos, podendo levá-la a evitar essas situações.
Diagnóstico e definição da Perturbação de Pânico e da Agorafobia
Segundo o sistema de classificação das perturbações mentais, conhecido como Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, 5.ª edição - DSM-5-TR (Texto Revisto), as principais características da Perturbação do Pânico são: (1) um ou mais episódios de medo ou desconforto intenso de início súbito (ou seja, ataques de pânico); e (2) ansiedade ou preocupação persistente relativamente à ocorrência de novos ataques de pânico, às suas possíveis consequências ou às alterações no comportamento e no quotidiano decorrentes desses ataques.
Os ataques de pânico caracterizam-se por um episódio súbito de medo ou desconforto intenso, que atinge o seu pico em poucos minutos e é acompanhado por diversos sintomas físicos e cognitivos.
A ocorrência ocasional de ataques de pânico é comum. No entanto, nem todas as pessoas que experienciam ataques de pânico ocasionais desenvolvem uma perturbação de pânico
Os ataques de pânico podem ocorrer no contexto de várias perturbações de ansiedade. No entanto, noutras perturbações de ansiedade, os ataques de pânico geralmente não constituem a principal preocupação da pessoa. Na perturbação de pânico, pelo contrário, os próprios ataques tornam-se a principal fonte de preocupação e ansiedade.
Prosseguindo com a definição técnica da perturbação de pânico, pelo menos um dos ataques de pânico tem de ser inesperado, ou seja, ocorrer sem um motivo aparente. Por outras palavras, a sensação de pânico parece surgir do nada. Um exemplo de um ataque de pânico inesperado é aquele que ocorre durante um momento de relaxamento ou durante o sono profundo. Em algumas pessoas, os ataques de pânico continuam a ocorrer de forma inesperada; noutras, acabam por ficar associados a situações específicas.
Outra característica da perturbação de pânico é evitar determinadas situações, hesitar perante elas ou sentir um nervosismo intenso quando se antecipa a possibilidade de ocorrerem ataques de pânico ou outros sintomas físicos, como uma sensação intensa de náuseas. Geralmente, estas situações são aquelas em que pode ser difícil sair do local ou obter ajuda. Um exemplo comum é um centro comercial muito movimentado, onde pode ser difícil encontrar a saída ou atravessar a multidão caso seja necessário sair repentinamente devido a um ataque de pânico.
Evitar determinadas situações por medo, quando não existe um perigo real, designa-se por fobia. A evitação de situações em que pode ser difícil escapar ou obter ajuda caso ocorra um ataque de pânico ou surjam outros sintomas físicos designa-se por agorafobia.
Na maioria dos casos, a agorafobia desenvolve-se após o aparecimento dos ataques de pânico, dando origem à perturbação de pânico com agorafobia. No entanto, algumas pessoas nunca desenvolvem agorafobia, podendo apresentar perturbação de pânico sem agorafobia.
Por vezes, a agorafobia ocorre na ausência de ataques de pânico. Nestes casos, a pessoa apresenta geralmente um, dois ou três sintomas típicos de um ataque de pânico, mas nunca experienciou quatro ou mais sintomas em simultâneo, número mínimo exigido para preencher os critérios de um ataque de pânico completo. Ainda assim, um ou dois sintomas podem ser tão angustiantes como quatro ou mais sintomas. Por exemplo, a tontura pode ser o único sintoma experienciado, mas a ansiedade associada à possibilidade de sentir tonturas pode ser tão intensa e incapacitante como a ansiedade relacionada com um ataque de pânico completo. Por outras palavras, uma pessoa que apresenta apenas tonturas pode desenvolver um grau de agorafobia tão acentuado como o de alguém que apresenta tonturas acompanhadas por vários outros sintomas de um ataque de pânico.
Outro exemplo de agorafobia sem perturbação de pânico ocorre quando o desconforto abdominal constitui o principal sintoma, levando a pessoa a hesitar em deslocar-se a locais onde não tenha acesso fácil a instalações sanitárias (casas de banho). O desconforto abdominal pode estar associado à síndrome do intestino irritável, uma perturbação crónica do funcionamento intestinal que pode incluir náuseas, cólicas abdominais, obstipação ou diarreia. Estes sintomas são frequentemente agravados pelo stress, nomeadamente pelo stress associado a situações agorafóbicas.
A agorafobia pode também manifestar-se através da evitação de situações motivada por outros sintomas físicos que não constam da lista de sintomas dos ataques de pânico, como, por exemplo, alterações da visão.
Sintomas de um Ataque de Pânico
Palpitações, aceleração do ritmo cardíaco ou batimentos cardíacos rápidos.
Sudorese.
Tremores ou estremecimentos.
Sensação de falta de ar ou de dificuldade em respirar.
Sensação de sufocação.
Dor ou desconforto no peito.
Náuseas ou desconforto abdominal.
Tonturas, sensação de desequilíbrio, de cabeça leve ou de fraqueza.
Arrepios ou ondas de calor.
Parestesias (sensações de dormência ou formigueiro).
Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (sensação de distanciamento de si próprio).
Medo de perder o controlo ou de «enlouquecer».
Medo de morrer.
Situações típicas de Agorafobia
■ Conduzir
■ Viajar de comboio, metro, autocarro, táxi
■ Voar
■ Esperar em filas
■ Multidões
■ Lojas
■ Restaurantes
■ Teatros
■ Longas distâncias de casa
■ Áreas desconhecidas
■ Salão de cabeleireiro ou barbearia
■ Longas caminhadas
■ Espaços amplos e abertos
■ Espaços fechados (por exemplo, porões)
■ Barcos
■ Ficar em casa sozinho
■ Auditórios
■ Elevadores
■ Escadas rolantes
Sintomas físicos que podem levar à Agorafobia
■ Dores de cabeça
■ Visão em túnel ou sensibilidade à luz
■ Espasmos musculares
■ Problemas de retenção urinária
■ Fraqueza
■ Fadiga
■ Diarreia
■ Sensações de queda
Problemas Médicos
Determinados problemas médicos podem provocar ataques de pânico, e o seu tratamento pode eliminar esses ataques. Entre esses problemas incluem-se o hipertiroidismo (hiperatividade da glândula tiroideia) e o feocromocitoma (um tumor da glândula suprarrenal, que é muito raro). Outros fatores incluem o consumo excessivo de anfetaminas (como a Benzedrina, por vezes prescrita para a asma ou para a perda de peso) ou de cafeína (por exemplo, o consumo de dez ou mais chávenas de café por dia).
No entanto, estas situações são distintas da perturbação de pânico. Nesta perturbação, os ataques de pânico não são causados por problemas médicos. Existem outros problemas médicos que podem provocar sintomas semelhantes aos do pânico, mas cujo tratamento não elimina necessariamente os ataques. Entre estes encontram-se a hipoglicemia (níveis baixos de açúcar no sangue), o prolapso da válvula mitral (que pode estar associado a palpitações cardíacas), a asma, as alergias e os problemas gastrointestinais, como a síndrome do intestino irritável.
É possível ter um destes problemas médicos e, simultaneamente, apresentar uma perturbação de pânico. Por exemplo, níveis baixos de açúcar no sangue podem provocar fraqueza e tremores, desencadeando uma sensação de pânico. Contudo, a normalização dos níveis de açúcar no sangue, através da alimentação ou da medicação, não interrompe necessariamente todos os ataques de pânico.
Por outras palavras, estes problemas médicos podem constituir fatores complicadores que coexistem com a perturbação de pânico. No entanto, a sua resolução nem sempre elimina a perturbação de pânico, que poderá exigir um tratamento específico, como por exemplo a Terapia Cognitivo-Comportamental.
Se não realizou exames médicos durante o último ano, poderá ser aconselhável fazer uma avaliação médica completa para investigar possíveis causas físicas dos sintomas semelhantes aos do pânico e identificar outras condições de saúde que possam contribuir para o pânico e a ansiedade. Estes fatores poderão, posteriormente, ser tidos em consideração ao longo da intervenção psicológica.
Qual a frequência da Perturbação de Pânico e da Agorafobia?
Os ataques de pânico e a agorafobia são bastante comuns. Os estudos mais recentes, realizados em larga escala junto da população adulta dos Estados Unidos, indicam que entre 5% e 9% das pessoas desenvolvem perturbação de pânico e/ou agorafobia em algum momento da vida. Isto significa que, apenas nos Estados Unidos, entre 16,5 e 30 milhões de pessoas são afetadas pela perturbação de pânico e/ou pela agorafobia. Ao longo da vida, aproximadamente uma em cada 12 pessoas apresenta uma destas perturbações.
Além disso, muitas pessoas têm ataques de pânico ocasionais que não evoluem para uma perturbação de pânico. Por exemplo, mais de 30% da população teve pelo menos um ataque de pânico durante o ano anterior, geralmente em resposta a uma situação stressante, como um exame ou um acidente de viação. Adicionalmente, uma percentagem significativa de pessoas apresenta ataques de pânico ocasionais sem motivo aparente — cerca de 12%.
Os ataques de pânico e a agorafobia podem afetar pessoas de diferentes contextos sociais e níveis de escolaridade, independentemente da profissão ou das condições socioeconómicas. Estas condições também estão presentes em diferentes grupos étnicos e culturas, embora a forma como o pânico é descrito, interpretado e compreendido possa variar em função das crenças e dos contextos culturais específicos.
Formas ineficazes de lidar com os Ataques de Pânico
Já referimos uma forma comum de lidar com os ataques de pânico: evitar situações em que estes possam ocorrer (ou seja, a agorafobia). Embora evitar determinadas situações reduza a ansiedade a curto prazo, a longo prazo contribui para a sua manutenção e intensificação. O mesmo acontece com várias outras estratégias utilizadas para lidar com os ataques de pânico, incluindo a distração, os objetos supersticiosos e os sinais de segurança, bem como o consumo de álcool.
Evitação
Para além de evitar situações das quais é difícil escapar ou em que não é fácil obter ajuda (ou seja, situações agorafóbicas), a evitação pode estender-se a atividades e a outros aspetos do quotidiano. Por exemplo, considere os seguintes comportamentos:
Evita beber café?
Evita tomar qualquer tipo de medicação, mesmo quando prescrita pelo médico?
Evita fazer exercício físico ou praticar outras atividades físicas?
Evita ficar muito irritado?
Evita ter relações sexuais?
Evita ver filmes de terror, documentários médicos ou filmes muito tristes?
Evita estar ao ar livre quando está muito calor ou muito frio?
Evita afastar-se de locais onde possa ter acesso a assistência médica ou ficar sem contacto com serviços de saúde?
Evita apressar-se?
Geralmente, estas atividades são evitadas porque podem provocar sensações físicas semelhantes às que ocorrem durante um ataque de pânico. Mais uma vez, embora a evitação ajude a aliviar a ansiedade e o pânico a curto prazo, a longo prazo contribui para a manutenção da ansiedade.
Distração
Muitas pessoas tentam lidar com situações que lhes provocam ansiedade distraindo-se. Os métodos utilizados para esse efeito são muito variados, e alguns podem ser bastante criativos. Por exemplo, quando se sente ansioso ou em pânico:
Põe música alta?
Leva consigo algo para ler?
Belisca-se?
Faz estalar um elástico contra o pulso?
Coloca toalhas frias e molhadas sobre o rosto?
Pede a alguém que esteja consigo para falar sobre qualquer assunto?
Mantém-se tão ocupado quanto possível?
Deixa a televisão ligada enquanto dorme?
Imagina que está noutro lugar?
Faz jogos de contagem?
É possível que este tipo de distração o tenha ajudado a lidar com um ataque de pânico no passado e que também possa ajudá-lo no futuro. No entanto, estas estratégias podem tornar-se uma espécie de muleta. Por exemplo, se se esquecer do material de leitura ou do elástico, poderá sentir necessidade de voltar a casa para ir buscá-lo.
Além disso, a longo prazo, estas estratégias podem não ser particularmente úteis. A distração é como colocar fita adesiva numa perna de mesa partida sem reparar a parte danificada.
Objetos supersticiosos e sinais de segurança
Os objetos supersticiosos e as pessoas que funcionam como referências de segurança são objetos ou pessoas específicos que lhe proporcionam uma sensação de segurança. São também designados por sinais de segurança ou auxiliares de segurança. Entre os exemplos incluem-se outras pessoas, alimentos e frascos de medicamentos, vazios ou cheios.
Se esses objetos ou pessoas não estiverem por perto, é provável que se sinta mais ansioso. Na realidade, estes objetos supersticiosos não o «salvam» verdadeiramente, uma vez que, na situação em causa, não existe necessariamente um perigo real do qual precise de ser salvo. Tal como acontece com as estratégias de distração, estes objetos podem tornar-se uma espécie de muleta e contribuir para a manutenção da ansiedade a longo prazo.
Lista de objetos supersticiosos e sinais de segurança
Comida ou bebida
Sais aromáticos
Sacos de papel
Símbolos religiosos
Lanternas
Dinheiro
Máquinas fotográficas
Malas ou carteiras
Material de leitura
Cigarros
Animais de estimação
Telemóvel
Álcool
Talvez recorra a uma estratégia de enfrentamento consideravelmente mais perigosa: o consumo de álcool.
Atualmente, sabe-se que muitos homens — em maior número do que mulheres — consomem álcool para conseguirem enfrentar situações em que receiam vir a ter um ataque de pânico. De facto, estima-se que entre um terço e metade das pessoas com problemas relacionados com o álcool tenham iniciado o percurso para a dependência através da chamada «automedicação» da ansiedade ou do pânico.
Recorrer ao álcool para lidar com o pânico e a ansiedade é extremamente arriscado. Embora o álcool possa proporcionar alívio temporário, existe o risco de desenvolver dependência e de necessitar de quantidades progressivamente maiores para obter o mesmo efeito.
À medida que o consumo aumenta, o efeito do álcool na redução da ansiedade tende a tornar-se menos eficaz. Em contrapartida, a ansiedade e os sintomas depressivos podem agravar-se.
Se consome álcool para controlar a ansiedade, procure aconselhamento junto do seu médico ou de um profissional de saúde mental para encontrar estratégias mais seguras e eficazes. Se existir dependência do álcool, é importante procurar apoio médico antes de interromper o consumo abruptamente, uma vez que a abstinência pode ser perigosa.