Padrões elevados: quando a busca pela excelência se torna um problema
Se perguntássemos a 100 pessoas se estabelecem padrões para si próprias, é muito provável que a grande maioria respondesse que sim. Ter padrões é algo natural e, até certo ponto, saudável. Eles ajudam-nos a orientar escolhas, definir objetivos e viver em sociedade de forma organizada. No entanto, quando esses padrões se tornam excessivamente elevados, rígidos e difíceis de alcançar, podem deixar de ser um motor de crescimento e passar a ser uma fonte significativa de sofrimento.
Os chamados padrões perfeccionistas surgem quando a pessoa sente que "nunca é suficiente", independentemente do esforço ou dos resultados alcançados. Nestes casos, o erro é vivido como fracasso, a autocrítica é constante e o valor pessoal fica dependente do desempenho. Esta forma de funcionamento pode ter consequências sérias para a saúde mental, estando associada ao desenvolvimento de ansiedade, depressão, Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) e perturbações do comportamento alimentar.
Muitas pessoas que lidam com padrões exigentes não se apercebem imediatamente do impacto que estes têm no seu bem-estar. Frequentemente, o perfeccionismo é socialmente valorizado e confundido com responsabilidade, ambição ou excelência. No entanto, viver sob uma pressão constante para corresponder a expectativas irreais tem um custo emocional elevado.
Este artigo foi pensado para si, que sente que os seus padrões podem estar a tornar-se um peso no dia a dia. Reconhecer que os padrões podem estar a causar sofrimento é um passo importante. A partir daí, é possível trabalhar no sentido de construir uma relação mais equilibrada consigo próprio/a — baseada na autocompaixão, flexibilidade e bem-estar emocional.